Romeu/ dezembro 13, 2017/ Audio Profissional

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Neste artigo vou tentar responde algumas perguntas que não querem se calar, são elas:
1-Troco meu equipamento por um melhor e mesmo assim meu som não melhora. Porque?
2-Equipamentos mais caros são realmente melhores?
3-Como faço para melhorar meu som?

Bem essas e outras perguntas tem uma resposta simples, nem sempre o problema é culpa do equipamento. Muitas coisas ao nosso redor estão sempre melhorando. Computadores mais rápidos, televisores com maiores resoluções, mas, mesmo com todos os nossos espetaculares processadores digitais, a tecnologia tem sido incapaz de erradicar o que chamamos de “som ruim”. O objetivo da maioria dos sistemas de reforço sonoro (PA, boates, igrejas, etc.), é levar uma reprodução de som de alta qualidade até o ouvinte. Gostaríamos de pensar que um sistema com componentes de alta qualidade garante este objetivo, porém não é o que acontece. A qualidade do som reproduzido será tão boa quanto a qualidade do elo mais fraco da cadeia de reprodução.

A Sala ou Ambiente

A sala (ou salão, galpão, ginásio, enfim o espaço destinado ao evento) é um dos maiores fatores da cadeia de reprodução. A maioria dos grandes espaços são ambientes hostis para sistemas de som, a menos que tenham recebido atenção especial de um profissional e um considerável investimento por parte do(s) proprietário(s). Um bom comportamento acústico não “acontece”, simplesmente, é o produto de planejamento cuidadoso! Um sistema de som de boa qualidade pode irradiar um campo sonoro de excepcional fidelidade, preenchendo o ambiente. Infelizmente, muito da energia irradiada criará eventos acústicos que deturparão a experiência auditiva. Enquanto as salas pequenas têm seus peculiares problemas acústicos, estes são pouca coisa comparados às reflexões tardias, reverberações e incrementos de energia (realimentação) encontrados em grandes espaços. Se seu sistema de som não soa bem, pergunte-se: “o que eu fiz para proporcionar um bom ambiente acústico?” se a resposta for “nada”, então você colherá o que plantou!

O Sistema de Som

Claro que um bom sistema de som é um elo vital para a cadeia de reprodução, mas isto não quer dizer apenas equipamentos caros. Significa equipamento adequado para o ambiente, selecionado e implementado por alguém que compreende os compromissos que envolvem instalações para grandes ambientes. Dinheiro pode ser desperdiçado em recursos que não oferecem benefícios reais para estes ambientes.

A grande maioria dos auditórios não são compatíveis com formatos multicanais tais como estéreo, surround, etc., uma vez que a informação de cada canal deve ser compreendida por cada um dos ouvintes. Posicionamentos de alto-falantes otimizados para reproduções estereofônicas são péssima escolha para sistemas de um só canal. Mesmo com sistemas mono, posicionamentos comumente utilizados freqüentemente criam problemas sonoros, visuais/estéticos sendo descartados pelos proprietários. Alto-falantes múltiplos ou agrupamentos de alto-falantes em algum lugar irão se sobrepor, então haverá problemas nestes pontos, como cancelamentos, somas, lóbulos, etc. Um sistema devidamente projetado irá soar mal em determinados locais, não destinados à presença de ouvintes, mas poderá ser justo nestes locais que ocasionais visitantes estarão para ouvir e emitir opiniões, criticando o sistema.

Atualmente, todos nós temos sistemas de som caseiros com alguma qualidade, mas as regras mudam radicalmente na razão do tamanho do espaço, e apenas intuição, sem conhecer os princípios de acústica de grandes ambientes leva a erros. Projetistas de sistemas de som são freqüentemente forçados a comprometer a performance do sistema para atender a preocupações estéticas, limitações de orçamento e modismos da indústria.

O Operador

Deixei este para o final, propositadamente. O elo menos considerado na cadeia de reprodução é o usuário final do sistema, incluindo os operadores de PA e monitores.

Um sistema de monitoração com muito volume descarregará energia excessiva, principalmente na região de baixas a médias baixas frequências, na área de audição (platéia). Isto provocará desequilíbrio espectral (frequências) no sistema frontal (house), instigando o operador de frente a tentar compensar o desequilíbrio utilizando-se de muita equalização, geralmente na forma de aumento de altas frequências, resultando na redução do ganho antes da realimentação e som com timbre metálico na platéia.

Posicionar os microfones corretamente é igualmente crítico, assim como conhecer as vantagens e desvantagens de cada técnica de microfonação. Se um microfone de lapela soasse igual a um microfone de mão, então para que usar microfone de mão? Over heads de bateria, geralmente usados para captação de pratos, também captam os sons dos monitores e vazamentos de outros instrumentos, assim como microfones de vocais usados à distância de um braço. E aquele som “redondo” de baixo que os músicos gostam no estúdio de ensaio, tornando-se um som “melado” demais no local do show, podendo requerer do músico que mude de técnica, para melhorar a definição, em alguns casos usando-se palheta para melhorar o “ataque” e colocar cordas novas para o show?

Todos estes fatores e muitos outros reduzem a qualidade do sistema de som como um todo. O bom operador de mixagem avaliará e otimizará o som dos instrumentos individualmente antes que a banda toque coletivamente. Não há como ser democrático aqui, operadores eficientes aprendem a dizer não e silêncio. Uma pergunta interessante a um provável operador seria: “O que fazer se alguma coisa começa a “apitar?”. Se a resposta não for “Baixar ligeiramente o canal suspeito até descobrir o verdadeiro problema”, passe para o próximo paragrafo.

Tentar resolver tudo com filtragem (equalização) desesperadamente não fará muito para preservar a qualidade do som. Muitas mesas de mixagem modernas têm muitos recursos mirabolantes, é tentador ficar atrás de um destes consoles e mexer botões o tempo todo, mas isto não faz de ninguém um bom operador! Completar um programa acadêmico reconhecido ou pilotar uma locomotiva, talvez. A decisão sobre qual console adquirir nem sempre leva em consideração a habilidade dos usuários em operá-la, resultando em “som ruim”.

Tenho testemunhado a performance de muitos bons sistemas de som, arruinados por más condições acústicas dos locais, e também por operadores incompetentes. Também tenho observado operadores experientes e competentes literalmente salvarem uma apresentação onde o sistema e o lugar eram bem menos que ótimos.

Conclusão

A performance de um sistema de som será sempre tão boa quanto o seu elo mais fraco. Infelizmente, todos os elos que mencionei aqui são, a grosso modo, de igual importância, significando que 2 em 3 não é o bastante. Uma boa sonorização depende da boa performance dos 3 elos. Profissionais de áudio experientes e bem treinados estão por aí para ajudá-lo a encontrar o elo mais fraco, contrate-os e siga suas recomendações.

 
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