Romeu/ janeiro 28, 2019/ Artigos Especiais, Audio Profissional, Iluminação Profissional e Arquitetural, Projeção e Vídeo/ 0 comments

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Neste artigo, quero mostrar algumas práticas que podem ajudar a melhorar a vida útil dos seus equipamentos, garantindo seu bom funcionamento, e que eles não te deixem na mão na hora que forem ser utilizados.

Uma das primeiras dicas, é justamente sobre as lâmpadas de filamento, diferentes dos equipamentos de LED ou das lâmpadas de ARCO VOLTAICO (ou DE DESCARGA), as lâmpadas incandescentes, produzem luz quando seu filamento interior se aquece, e produzindo luz. Para controlar seu a intensidade, é comum variar a tensão (VOLTS) da lâmpada através de um dimmer. Essa variação, pode causar a queima da lâmpada, para diminuir esse risco, uma prática muito comum, fazer o pré aquecimento deles. Para isso, ligamos o equipamento e deixamos as lâmpadas a uma potência de 15% aproximadamente por um tempo de 20 minutos e somente depois desse tempo é que damos inicio ao uso dos equipamentos no espetáculo. Para quem usa esses aparelhos em igrejas, ou situações onde estes vão ficar desligados e serem usados já com o público no local, devemos fazer o pré-aquecimento a cerca de 20% por 15 minutos, e depois baixar para 10% até a hora do uso. Na potência de 10% o brilho das lâmpadas é praticamente invisível, porém a tensão passando pelo filamento, não vai deixa-lo resfriar totalmente e vai garantir uma vida útil muito maior.

Quando tocamos com a mão lâmpadas em geral, antes de acender, devemos limpar bem com um pano seco, ou se a gordura das mãos não sair, usar uma flanela umedecida com álcool isopropílico e aguardar cerca de 30 minutos para a secagem. Lâmpadas de filamento, são fabricadas geralmente com cristal, e extremamente sensíveis a gorduras e a poeira, se suas lâmpadas estão a um tempo sem uso, limpe todo o pó delas e do interior dos equipamentos antes de ligar, mesmo que para testar, outro detalhe é que algumas lâmpadas possuem restrição de posicionamento, ou seja, não podem ser utilizadas em ângulos, e nenhuma, pode ser movida quando estiver acesa, portanto, primeiro posicione o equipamento em seu lugar, respeitando as restrições e somente depois acenda-o. Quando for fazer a afinação dos aparelhos, geralmente com eles acesos, não faça movimentos bruscos, vá movendo bem devagar afim de evitar a quebra do filamento e a queima da lâmpada. Para se ter uma ideia, algumas lâmpadas atingem temperaturas tão altas, que o vidro ou cristal do envolucro externo, ficam moles, e se ocorrer um movimento brusco acabam se partindo. Lâmpadas de ARCO VOLTAICO também geram calor e sofrem desses mesmos efeitos.

Uma outra dica importante, é sobre os cuidados com os filtros de acetato, ou gelatinas, estas são muito sensíveis e facilmente podem se danificar. Jamais deixe os filtros jogados de qualquer maneira pois eles riscam quando atritados entre si e podem perder sua cor. Devido a laminação eles possuem cargas elétricas que ajudam a atrair o pó, limpe-os com um pano seco na hora do uso. Para guardar, eu gosto de coloca-los em uma caixa de madeira ou papelão, e entre eles coloque uma folha de papel de seda (a maioria vem com uma folha dessas quando é adquirido). Na hora de utilizar, sempre meça antes de cortar, e corte-os sem deixar espaço de sobra, pois eles devem ficar esticados na frente da luz; com o tempo, eles podem perder a cor e as características este é o momento de substitui-los. Algumas vezes, podemos ainda re-aproveitar um filtro que não serve mais por exemplo para um fresnel, mais uma parte dele ainda boa pode servir para um par38. Jamais utilize mais de uma folha junto pois quando elas se encostam o calor do refletor vai fazer elas derreterem para tentar se fundir danificando-as. Se eles rasgarem, você pode aproveitar a parte boa, para refletores menores.

Quando vamos fazer a limpeza dos equipamentos de iluminação, devemos ter em mente, que eles utilizam lâmpadas que podem atingir altas temperaturas, componentes eletrônicos que são sensíveis ao pó e podem se danificar, partes óticas em cristal vidro e metais sensíveis a produtos químicos e a arranhões, então, para evitar qualquer acidente ou dano, devemos sempre estar com o equipamento desconectado da rede elétrica e se possível na bancada, para evitar risco de queda. Para limpeza dos componentes óticos, devemos sempre ter em mente que não devemos toca-los com os dedos, então usamos uma luva de latex, e um pano seco, se tiver certeza que o componente suporta, podemos usar um pano umedecido com álcool isopropílico ou água e sabão líquido neutro. Escolha um pano que não solte fiapos, e que seja macio para não arranhar a superfície. A regra de ouro aqui é se não tem certeza se pode, não faça!

Limpeza geral de equipamentos, uma boa técnica é usar jatos de nitrogênio para assoprar a poeira do interior de equipamentos, como o nitrogênio não acumula água como o ar comprimido, não corre o risco de danificar circuitos eletrônicos, e devido a pressão retira bem a poeira dos componentes óticos. Para utilizar esse processo, pode-se usar um cilindro com regulagem de pressão, e um revolver assoprador utilizado em compressor de ar, sempre se tomando o cuidado de ajustar a pressão do gás conforme o local onde se está limpando, evitando danos. Se estiver muito empeirado, antes, faça a remoção com um aspirador ou pó, pois alguns tipos de poeira maiores podem riscar lentes. A maior parte dos equipamentos suporta o álcool isopropílico que é feito para a limpeza de componentes eletrônicos e óticos, porém, não se deve usar álcool comum pois ele deixa resíduos de água que não se evaporam. Para a limpeza de lentes, um ótimo material é a gaze, facilmente encontrada em farmácias. Cotonetes são bons para acesso a lugares apertados, porém, tenha cuidado, pois o algodão pode soltar fiapos. Sempre passe o gaze ou cotonete em uma direção e não o reutilize pois partículas de pó presas a ele podem arranhar as lentes.

Limpeza de refletores como PC, Fresnel, Canhões PAR, Set-Light e outros que não possuem placas eletrônicas, podem ser feitos com ar comprimido, e uma flanela umedecida com água e detergente neutro, e as sujidades mais encrostadas podem ser removidas com um pincel macio. Os equipamentos mais sensíveis são os que usam polarizadores de luz, filtros dicroicos e outros que possuam ótica com coalting. Vidros, espelhos e prismas podem ser limpos com flanela úmida, ou com álcool isopropílico. 

Para equipamentos de projeção, todo o cuidado com as óticas, filtros polarizadores e redes de difração, pois são sensíveis a abrasão e um risco praticamente imperceptível aos olhos pode ser um enorme estrago no resultado final. Jamais use qualquer produto que contenha água ou solvente. Para as placas de circuito jato de hidrogênio é a melhor opção, e para a ótica podemos além dos jatos usar álcool isopropílico. Dica, cuidado que alguns equipamentos que possuem ballast de partida para lâmpadas a gás como projetores multimídia, podem armazenar energia em bancos de capacitor, mesmo depois de dias desligados, só mexa nesses equipamentos se tiver certeza do que está fazendo, pois choques elétricos podem ser fatais.

A Esquerda, conectores limpos, a direita, conectores aguardando limpeza.

Para mesas de iluminação, de audio e outros componentes que possuem potenciômetros, use o jato de nitrogênio, e depois um limpa contato, que vai manter a lubrificação mecânica e também evitar a oxidação dos contatos metálicos. Cabos e conexões elétricas e de sinal também podem e devem ser limpas periodicamente. Para a limpeza interna de cabos como RCA, BANANA e P2/P10 uso sempre aquelas hastes para limpeza de cachimbos, umedecidas em álcool isopropílico para as conexões externas um pano. Cabos de microfone e dmx, geralmente temos que desmontar o conector para limpar os contatos internos, e para os contatos fêmea, as hastes de cachimbo.

Computadores, devem ser abertos e assoprados com jato de nitrogênio, retirando-se totalmente a poeira das placas e também dos dissipadores de calor, o mesmo vale para equipamentos como racks de potência e amplificadores onde as ventoinhas e dissipadores devem estar sem nenhum pó para não prejudicar a troca calórica. Nas placas é admissível uso de limpa contato, porém, não aplique nos dissipadores pois o óleo retém partículas de pó e também muda a dissipação.

Para os microfones, faça a limpeza com jato de ar, troque pelo menos a cada 6 meses as capas de espuma pois ela acumula poeira, fungos e bactérias, e o pó pode tampar os poros da espuma, prejudicando a qualidade do equipamento. 

Aproveite a limpeza, para averiguar a necessidade de reparo em soldas de conectores. Mais de 85% dos equipamentos que chegam a assistência com problemas de ruido e mau contato, são problemas ocasionados exclusivamente pela falta de limpeza de potenciômetros, contatos e manutenção dos cabos. Proteja todos os equipamentos da poeira, pois ela agride e oxida placas e contatos elétricos causando falhas e riscos aos utilizadores.

Quem utiliza sistemas passivos de caixas, durante a limpeza dos amplificadores, aproveite para medir a impedância das caixas e cabos, para garantir que os cabos estão com boa qualidade e não existem curtos-circuitos em componentes das caixas. Para os alto-falantes devemos usar jato de ar e nas bobinas jato de nitrogênio. Para drivers e componentes, jato de hidrogênio, e cuidado pois eles possuem membranas que podem estourar se a pressão dos jatos forem muito altas.

Devemos lembrar, que trabalhos que envolvam a montagem de equipamentos de som e iluminação em palcos devem ser feitos sempre por profissionais, já que envolvem riscos e periculosidade por estar sendo feitos com energia elétrica (NR-10), risco de trabalho em alturas (NR-35), e algumas vezes por trabalho a céu aberto (NR-21), Trabalho em espaços confinados (NR-33). E sempre, devemos ter pelo menos 2 profissionais no ambiente.

Se alguém precisar de alguma dica específica, ou técnica deixe nos comentários, que assim que possível vamos esclarecer todas as dúvidas.

 
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