Romeu/ janeiro 2, 2018/ Artigos Especiais, Audio Profissional, Iluminação Profissional e Arquitetural, Projeção e Vídeo, Treliças e Estruturas Construtivas

Ultimamente tenho recebido inúmeros pedidos de consultoria para melhorar um determinado sistema que já está instalado no local, e não está atendendo as expectativas e requisitos, e geralmente estes pedidos são de equipamentos de marcas diferentes com as mesmas características ou muito similares, e também de produtos pouco usados para aquele tipo de recurso, que na verdade não são a solução para o problema informado.

Na maioria das visitas, tenho visto, principalmente em igrejas e salões de festas, sistemas muito bem montados e com recursos suficientes para trabalhar com alta qualidade no ambiente apresentado, porém, que os proprietários e responsáveis não estão satisfeitos e estão adquirindo equipamentos para melhorar a qualidade e mesmo assim não estão vendo resultados. Minha análise, em geral, é que o sistema já atende as especificações e não existe a necessidade de mudanças.

Os sistemas de sonorização e iluminação como outros sistemas elétricos ou mecânicos, tem seus pontos fortes e fracos, e o ponto mais fraco é justamente o elo mais fraco da corrente, atualmente é possível encontrar no mercado equipamentos de som, iluminação e projeção com inúmeros recursos e preços razoavelmente baixos, portanto, estou percebendo que os proprietários estão aproveitando e adquirindo e investindo cada vez mais em novos equipamentos e recursos.

Na maioria dos lugares que tenho visitado, o que se vê é a repetição do mesmo problema, o que encontramos instalado, é muitas vezes superior ao necessário, seria como adquirir uma envasadora de garrafas industrial para encher suas garrafas de água em casa para colocar na geladeira, ou adquirir um trator para re-fazer o jardim ou uma floreira na porta de casa.

Com o relativamente baixo custo dos equipamentos, ficou muito fácil investir neles, porém, não adianta adquirir um sistema completo e cheio de recursos, e não capacitar os técnicos para operar ou para se beneficiar de todos os recursos oferecidos pelo equipamento, e o que está sendo feito é colocar um novo aparelho que vai mascarar aquele prolema e criar outro.

O investimento no treinamento e na capacitação de técnicos e a conscientização de que não adianta colocar novos recursos sem capacitar a mão de obra a utiliza-los é além de desperdício financeiro, um problema, pois torna o problema mundial, quando adquirimos um novo aparelho elétrico, aumentamos nosso consumo e por consequência, aumentamos o consumo de recursos naturais, além dos recursos naturais empregados em sua fabricação. Minha ideia aqui, é conscientizar da real necessidade de uso de algo novo, ou o investimento na qualificação da mão de obra envolvida no processo.

Essa qualificação, e investimento em mão de obra, deve ser pensado e conversado tanto pelos técnicos como pelos proprietários dos sistemas; em conversa, percebo que os proprietários não investem na qualificação de técnicos e funcionários pois tem medo de gastar seus recursos com um treinamento ou um curso, e depois do curso feito o funcionário ou técnico trocar de emprego pois qualificado vai alcançar um salário melhor. Por outro lado, os técnicos não investem pois devido aos baixos salários praticados pelo mercado não existe interesse, quando o interesse existe os custos são proibitivos, os profissionais que além de proprietários são técnicos preferem investir em um novo equipamento do que investir em sua própria qualificação.

Esse círculo vicioso, a cada dia vai se agravando e os problemas cada vez mais graves, chegando ao ponto de comprometer a segurança da realização do evento tanto para a equipe técnica como para os espectadores. O investimento em qualificação, treinamento e constante atualização da mão de obra técnica e operacional é uma questão que envolve as organizadoras e promotoras de eventos, as entidades de fiscalização e entidades de classe, os proprietários de locadoras e prestadoras de serviço em eventos, a segurança pública e todos os participantes.

Quando falo em investir em treinamento, falo não só em cursos de nível técnico, ou nível superior, além dessas qualificações é importante investir em treinamentos específicos para um determinado equipamento, ou conforme o que está sendo realizado.

O nível de atualização dos profissionais envolvidos, as vezes traz um retorno não só financeiro, mais em outros aspectos, mais elevado do que o investimento em novos equipamentos, pois a qualidade do serviço prestado aumenta e consequentemente o retorno financeiro e a satisfação dos clientes vai ser maior.

As vezes a falta de cobrança por parte dos responsáveis, deixa a critério do técnico uma re-qualificação e este, devido a sobrecarga de serviço causada pelas novas aquisições não investe na sua própria qualificação pois não encontra tempo disponível.

O investimento as vezes razoavelmente baixo, como a aquisição de um curso em vídeo, uma apostila, um treinamento no local, uma palestra ou mesmo um livro, pode trazer benefícios muito grandes para os profissionais envolvidos e para a obtenção de lucros, justamente pela falta de qualificações dos profissionais é que vemos cada vez mais acidentes, e mortes tanto dos profissionais como do público.

Nos últimos anos, o que não falta são casos de acidentes com vítimas feridas e mortes causadas tanto no público como nos profissionais envolvidos que poderiam ter sido evitadas com um investimento mínimo em qualificação, vidas são perdidas por imperícia técnica, ou por falta de conhecimento.

O resultado desse cenário, são leis cada vez mais severas, maiores complicações para a autorização de funcionamento dos eventos de qualquer porte, maiores custos para os realizadores e produtores e menor rendimento dos técnicos para se manterem competitivos, ou seja, os prejudicados são os próprios profissionais.

Uma solução completa deve partir de um comum acordo entre as entidades de classe, os profissionais e técnicos, o governo e os órgãos fiscalizadores. Se cada um investir seus recursos para solucionar o problema, e não para se isentar da responsabilidade ganham todos, os profissionais, as entidades de classe, os órgãos governamentais, as organizadoras de evento, os produtores e o público. O governo ao invés de proibir ou dificultar a realização deveria abrir frentes de treinamento e cursos gratuitos de re-qualificação profissional. As entidades de classe ao invés de querer adquirir poderes punitivos deveriam investir seus recursos em qualificação in-loco de profissionais, promovendo treinamentos específicos, os organizadores e produtores deveriam ser os responsáveis de contratar serviços com a devida qualificação, sendo estes os melhores ficais para o cumprimento da lei e das exigências, os proprietários tendo como fiscais os seus clientes são financeiramente obrigados a investir no treinamento senão o próprio mercado vai excluir os maus empresários.

Conclusão, o elo mais fraco é o humano, e também é o que segura mais peso, pois é cobrado pelos contratantes, pelos contratados e pelo governo e entidades, é o mais instável (depende da saúde, do humor, da vontade entre outros fatores), o mais mal remunerado e o que está sujeito a mais falhas. Se você é um profissional do ramo de eventos, invista o máximo que puder em você, além de melhor qualifica-lo no mercado, melhor remuneração, maior segurança para sua vida e para os envolvidos no trabalho e frequência do evento onde você está trabalhando. Boa sorte, e sucesso.

 
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